A Perturbação de Identidade de Género e o Terapeuta da Fala

A Perturbação de Identidade de Género e o Terapeuta da Fala


Para falarmos de Transexualidade ou de Perturbação de Identidade de Género (PIG), é importante esclarecer conceitos como sexo, género e identidade. Se por um lado o conceito sexo implica uma base biológica e determina os caracteres sexuais visíveis, distinguindo um homem de uma mulher, por outro lado o conceito género está associado a uma construção social e define uma identidade, um papel social que permite distinguir dois géneros: o feminino e o masculino.
O diagnóstico clínico que define a comummente designada Transexualidade é a Perturbação de Identidade de Género, a qual está associado a critérios de diagnóstico relacionados com identificação com o género oposto, o desconforto persistente com o próprio sexo e a evidência de sofrimento clinicamente significativo (DSM-IV-TR). Por outras palavras, esta população é definida como uma minoria de pessoas cuja identidade sexual está em desconformidade com o corpo (Freitas, Monteiro e Ferreira, 2011).
Após realizado o diagnóstico, o transexual prossegue com o Processo de Reatribuição Sexual, o qual inclui a psicoterapia, o teste real de vida, o tratamento hormonal e cirúrgico, terminando com o reconhecimento legal.

Qual o trabalho que o terapeuta da fala deve realizar com o individuo transexual?

A voz é parte integrante da identidade de cada individuo. Mais do que uma necessidade laboral (voz profissional) ou clínica (voz patológica), a população transexual carece de um (re)encontro vocal (voz psicosocial). Por ter um papel fulcral na assunção social da identidade de género, a reeducação vocal deve integrar o Processo de Reatribuição Sexual.
É importante referir que as diferenças vocais que existem entre o homem e a mulher incluem não apenas propriedades acústicas com valores-padrão diferentes (pitch, frequência fundamental, intensidade, ressonância…), mas também aquilo a que chamamos auxiliares de apoio à concretização do género vocal (factores suprassegmentais, comportamentais, sociais e posturais). Como tal, o processo terapêutico de reeducação vocal deverá incluir também o treino em contexto natural de forma a contribuir para que a fase de transferência de aprendizagens para o dia-a-dia seja bem-sucedida.

O estudo e a prática terapêutica na voz transexual são ainda bastante incipientes. Desta forma, a equipa da RdS faz o apelo à partilha de experiência entre profissionais para que, com a devida investigação, seja possível chegarmos a linhas orientadoras do trabalho do terapeuta da fala na reeducação vocal do individuo transexual. Da mesma forma, acreditamos que será possível, num futuro, a inclusão do terapeuta da fala na equipa multidisciplinar que trabalha com esta população.

Joana Assunção e Dina Caetano Alves



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